Abuso de poder dentro da empresa



Recursos Humanos
Abuso de poder
Como agem os chefes que são rudes com seus funcionários e o que fazer para enfrentar essa realidade.

Não é de hoje que acontecem atritos entre chefes e subordinados, envolvendo desde divergências de idéias até incompatibilidade de gênios. Entretanto, são cada vez mais comuns as queixas de abuso do poder por parte do chefe. Uma pesquisa realizada com dois mil profissionais brasileiros mostra um quadro preocupante: 870 entrevistados, sendo 494 mulheres e 376 homens, passaram por casos graves de humilhação no ambiente de trabalho.
"Numa reunião de departamento, o diretor da empresa deixou bem claro que ele detinha o poder sobre todos nós, pois era o responsável por nossos salários. Todos se sentiram muito constrangidos", desabafa R.S. Apesar da situação não ter causado danos permanentes nos funcionários presentes à reunião, esse é um caso de abuso de poder. E são várias as formas de manifestar essa "vantagem" hierárquica. Gritar com um funcionário na frente de várias pessoas, ignorá-lo, colocar medo ou tratá-lo como incompetente são alguns exemplos.
As conseqüências de uma humilhação, principalmente quando acontece com freqüência, são sérias. Além de abalar a auto-estima de um profissional, ela causa vários problemas físicos e psicológicos, como dores generalizadas pelo corpo, distúrbios do sono, medo exagerado, agravamento de dores pré-existentes, depressão, palpitações e tremores, choro fácil, aumento da pressão arterial, diminuição da libido, dores de cabeça e distúrbios digestivos. Quem passa por essa situação costuma reclamar de irritabilidade. Há ainda os que afirmam ter pensado ou tentado o suicídio.
Um alvo fácil dos humilhadores é o funcionário contestador, que questiona. Para torná-lo mais submisso, o chefe se mune de artifícios eticamente questionáveis, como isolar o profissional e fragilizá-lo diante dos outros. Identificando o inimigo Geralmente, diretores, gerentes, chefes de setor e supervisores são os responsáveis pela humilhação. O que os diferencia são os métodos.
No grupo dos humilhadores exacerbados estão aqueles que são agressivos, perversos, frios, que utilizam seus títulos para intimidar as pessoas. Isso sem falar daquele profissional que, para disfarçar o seu próprio medo, o impõe aos outros para se sentir realizado.
O cuidado maior deve ser tomado com aquele que se faz passar por amigo e confidente. Na frente do funcionário mostra-se o chefe dos sonhos, mas por trás utiliza-se das informações particulares para prejudicar quem quer que seja.
Mas como resolver a situação? Antes de tudo, a diplomacia é a melhor opção. Recorrer ao bom senso e ao diálogo é essencial para manter uma atmosfera de respeito no ambiente profissional. Apontar abertamente a eventual agressividade no momento que ela acontece também pode ajudar. Entretanto, qualquer atitude em busca da melhora do relacionamento deve ser tomada apenas se o funcionário concordar que o esforço vale a pena.
O autoconhecimento também é uma arma importante para que o diálogo seja produtivo. Quais são os meus valores? Com que tipo de pessoas quero trabalhar? Como quero ser tratado? Fazer uma lista do ambiente ideal de trabalho ajuda o profissional a se conhecer, a entender suas reações e emoções. Também o ajuda a separar as coisas que podem ser mudadas das que não podem. Por exemplo, não há como mudar a personalidade do chefe. Já o profissional pode mudar a maneira como reage às pessoas e situações. De portas abertas Se a situação chegou a um ponto onde uma conversa franca é impossível, não restam muitas alternativas. A primeira é ter sempre um amigo com quem possa desabafar e pedir opiniões. A prática de atividades a que orcionam prazer, como atividades físicas ou de lazer, ajuda a pessoa a esquecer o drama que está vivendo.
Se a empresa mantém uma política de portas abertas, o funcionário não deve se intimidar. Recorrer aos líderes da empresa pode parecer uma atitude extrema, mas se o assunto é sério, merece um tratamento prioritário. Há casos de gerentes que foram demitidos devido ao mau tratamento que dispensavam aos funcionários.
Em último caso, o profissional deve questionar-se até que ponto todo o sofrimento e angústia são válidos. Se a empresa não oferece oportunidades para que ele exponha os seus problemas ou se a situação é insuportável, talvez seja o momento de respirar fundo e partir para uma outra oportunidade. Afinal de contas, vivemos em um período de caça por talentos qualificados. Se uma empresa ou chefe não valoriza os seus próprios funcionários, há quem o faça no mercado.

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